Planejamento Partilhado

1*kP4m3ubVpePNLNa81XBc1Q

(Texto publicado em 25 de janeiro de 2016 no Medium)

É impossível antecipar a cidade do futuro, o espaço urbano em sua forma final. Propostas como a Nova BH ou o Novo Recife revelam apenas que processos de criação que deveriam ser coletivos e participativos foram substituídos por mecanismos de construção autoritários. Pode soar duro, radical, mas historicamente as iniciativas relacionadas ao design do espaço urbano em grandes centros que foram elaboradas de “cima para baixo” resultaram em experiências muito limitadas e com curta validade.

O link que compartilho (Como criar cidades juntos?) é um pouco sobre isso. Trata-se de um debate entre Richard Sennet, Marcos Rosa, Ute Weiland e Regula Luscher publicado com exclusividade no Piseagrama.

Ao falar sobre Jane Jacobs, autora de “Vida e morte das grandes metrópoles” e Lewis Mumford, autor de Civilização e Técnica, o sociólogo Richard Sennet apresentou o contraste entre a concepção de construção comunitária e a concepção baseada em uma escala ampla de uso da tecnologia para alteração da infraestrutura.

“ Seus argumentos contra Mumford era de que um plano mestre é uma imagem da vida, ao invés de um processo de viver uma vida. Isso ela aprendeu de Husserl. E de que quando fazemos um plano mestre, estamos essencialmente fazendo uma imagem de como as pessoas deveriam viver, ao invés de lidar com o tempo em que elas vivem todos os seus conflitos, sofrimentos e desapontamentos, assim como seus sucessos. Ela disse isso a ele, e ele ficou completamente acuado por isso, esse argumento de que nenhum plano mestre considera o sofrimento. É uma observação profunda, porque isso faz parte de ser humano.”

Sennet, Jacobs e Mumford haviam travado importantes debates sobre perspectivas de reformulação da cidade e dos seus espaços influenciando muitos pesquisadores e profissionais, urbanistas, arquitetos e políticos. E o próprio Sennet ao longo das últimas décadas tem ampliado o debate sobre a participação dos cidadãos na esfera pública, no desenho urbano e na apropriação dos espaços. Quero dizer, ele tem nos alertado contra as armadilhas de se pensar o futuro da cidade quando não se considera a importância da participação e do acesso.

Serve para pensarmos antes na maneira como pretendemos transformar a cidade e o desenho urbano do que no resultado.

Dez dicas para melhorar os espaços públicos das cidades

(Texto publicado em 18 de fevereiro de 2013 no Medium)

Em 2013 o ArchDaily Brasil traduziu e publicou “10 Ways to Improve Your City through Public Space” elaborado pelo Project For Public Spaces (PPS). Os pontos são bem interessantes e instigadores para pensarmos a realidade dos espaços públicos no Brasil. Eu resumi o material para compartilhar aqui, então se você gostar visite os links no final e confira as fontes original em inglês e português e o material em pdf publicado pelo PPS.

Dez dicas para melhorar os espaços públicos das cidades

Fonte: ArchDaily Brasil

Cada dia os cidadãos de diferentes partes do mundo manifestam suas preocupações pelo futuro de suas cidades. Os espaços públicos, como ruas, parques e praças tornaram-se essenciais para que uma cidade seja bem sucedida, já que neles são geradas diversas possibilidades de desenvolvimento econômico e social e, cada vez são mais valorizados pelos cidadãos.Entretanto, a construção e manutenção dos espaços públicos por parte dos governos locais ainda não é um tema que se aborda de forma correta em muitas cidades, nas quais não existem numerosos espaços públicos bem projetados e com participação cidadã durante o processo de desenho.

Tomando estas deficiências como desafios, a organização Project for Public Spaces (PPS) lançou há algumas semanas o “Placemaking and the Future of Cities”, o rascunho de uma próxima publicação. Através de dez conselhos muito úteis, busca melhorar certos aspectos econômicos, sociais e ambientais das cidades mediante uma reabilitação dos espaços públicos já existentes. Neste sentido, a publicação servirá como um guia para os governos locais que decidam buscar o êxito urbano através de um enriquecimento dos espaços públicos.

A seguir podemos conhecer as 10 dicas de PPS para melhorar os espaços públicos das cidades:

1. Converter as ruas em calçadões.

2. Criar parques e praças públicas como destinos com múltiplas funções.

3. Construir economias locais através de mercados urbanos.

4. Projetar edifícios que sirvam como redes de conexões entre distintos bairros.

5. Vincular a agenda de saúde pública com os programas de espaços públicos.

6. Reinventar as organizações comunitárias.

7. O poder dos “10”.

8. Criar um programa integral para espaços públicos.

9. “Mais leve, mais barato, mais rápido”. Começar pequeno e experimentar.

10. Reestruturar o governo para ajudar os espaços públicos.

Se você quiser obter o rascunho completo de Placemaking and the Future of Cities”, acesse este link (http://www.pps.org/wp-content/uploads/2012/09/PPS-Placemaking-and-the-Future-of-Cities.pdf).

Original em português:

http://www.archdaily.com.br/79108/dez-dicas-para-melhorar-os-espacos-publicos-das-cidades/

Original em Inglês:

http://urbantimes.co/2012/09/10-ways-to-improve-your-city-through-public-space/

Acervo da Comissão Construtora da Nova Capital de Minas Gerais

A Comissão Construtora da Nova Capital era chefiada pelo engenheiro Aarão Reis e compunha-se de uma equipe de engenheiros, arquitetos e urbanistas, cujos trabalhos estenderam-se entre os anos de 1894 e 1897, data da inauguração da cidade.

Seu acervo é bem conhecido por historiadores que pesquisam temas referentes ao desenvolvimento da cidade nos termos urbanístico, político, social e cultural. Muitos trabalhos interessantes foram produzidos com as fontes que o acervo oferece. Continue lendo “Acervo da Comissão Construtora da Nova Capital de Minas Gerais”

Contribuições à Crítica em Arquitetura e Urbanismo na América Latina: reflexões sobre os 25 anos de SAL e projetos para o século XXI

A realização do Seminário de Arquitetura Latino-americana (SAL) iniciou-se em 1985 com o Encontro de Arquitetos Latino-americanos, no marco da I Bienal de Arquitetura de Buenos Aires, apoiado pelo Centro de Arte y Comunicación e a revista de arquitetura Summa. A partir de então tem sido organizado, por universidades latino-americanas: em Buenos Aires, Argentina (1986); Manizales , Colômbia, (1987); Tlaxcala, México ( 1989); Santiago , Chile ( 1991); Caracas, Venezuela ( 1993); São Paulo e São Carlos , Brasil ( 1995); Lima , Peru ( 1999); San Juan , Porto Rico ( 2001); Montevidéu , Uruguai ( 2003); Oaxtepec , México (2005), Concepción , Chile ( 2007) e cidade do Panamá , Panamá ( 2009). Continue lendo “Contribuições à Crítica em Arquitetura e Urbanismo na América Latina: reflexões sobre os 25 anos de SAL e projetos para o século XXI”

Questões sobre o trânsito

Não é nenhuma novidade que o trânsito nos grandes centros está ruim e não flui como desejado. Pedestres como eu, que valorizam uma boa caminhada pela cidade, tem sido compactados na beira das vias públicas. Ciclistas não são respeitados, e constantemente são vistos como obstáculos a serem superados por automóveis. Quem depende do transporte público, chega a passar um quinto do dia dentro de ônibus no trajeto casa-trabalho e trabalho-casa. Motoristas se irritam com a fragilidade de seus automóveis quando percebem que estão presos em engarrafamentos. Quem enfrenta o trânsito entre 6h e 8h ou entre 17h e 19h nos grandes centros sabe do que estou falando. No fim, tudo fica ruim para todos que se locomovem pelos espaços da cidade. Mas qual o problema? A quantidade de pessoas, de automóveis ou a cidade?

Duas imagens sobre Belo Horizonte

Transportes em Belo Horizonte nos anos de 1920.
Trânsito nos dias de hoje