Saiu no portal da Revista de História a noticia de que a comunidade de São Cristóvão, no Sergipe, recebeu o Diploma de Patrimônio Cultural da Humanidade, que tinha sido conferido à Praça de São Francisco em agosto do ano passado pela Unesco.
O artigo chama atenção para a singular a fusão das influências das práticas urbanísticas espanhola e portuguesa na formação de núcleos urbanos coloniais. Cabe destacar que as principais referências de configuração de praças públicas na cultura ocidental são a piazza italiana, a Plaza mayor espanhola e a place royale francesa dos séculos XVII e XVIII. Com características funcionais bem diferentes, delas derivou o square inglês no século XIX. No século XX, os parks também têm destaque pela sua singularidade entre as características funcionais do espaço e da vida cultural urbana norte americana.
A praça pública na experiência brasileira deve sua existência aos adros das igrejas na organização do espaço das colônias portuguesas, que quase sempre contrastou com o urbanismo praticado na América espanhola, cujos núcleos preponderantes de suas aglomerações seriam a Plaza Mayor, ou a Plaza de Armas. Embora estas últimas também possam apresentar ligações com as ordens religiosas, sua principal característica são as referências cívicas.
Em algumas cidades, a praça cívica convive com praças estendidas a partir de igrejas. Para Sergio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil, a principal diferença entre o padrão de urbanização espanhol em relação ao português foi o valor simbólico da imposição da linha reta e da organização política dos espaços pós-conquista, com planos regulares afastados de convicções religiosas em que as cidades surgiriam da Plaza mayor.
Leia a notícia:
Um pouco da união ibérica em Sergipe
Comunidade de São Cristóvão recebeu diploma de Patrimônio Cultural da Humanidade pela Praça de São Francisco

Na presença de diversas autoridades, a comunidade de São Cristóvão, no Sergipe, recebeu na sexta-feira (8) o Diploma de Patrimônio Cultural da Humanidade, que tinha sido conferido à Praça de São Francisco em agosto do ano passado pela Unesco. É nessa cidade que fica o Convento de Nossa Senhora do Carmo, onde Maria Rita de Souza Brito Lopes foi ordenada e se tornou Irmã Dulce.
A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, lembrou da importância arquitetônica da praça, construída entre os séculos XVI e XVII, e, por isso, representante de um estilo singular, ibérico. “[A praça] é um registro único e autêntico de um fenômeno urbano singular no Brasil, período durante o qual Portugal e Espanha estiveram unidas sob uma única coroa”, contou, se referindo ao período que o Brasil colônia estava sob o domínio de Felipe II e Felipe III.
Segundo o Iphan, “a Praça de São Francisco demonstra de forma singular a fusão das influências das legislações e práticas urbanísticas espanhola e portuguesa na formação de núcleos urbanos coloniais”. E completa: “Desta forma, sua autenticidade está explícita em seu desenho, entorno, técnicas, uso, função, e contexto histórico e cultural.”
A Praça de São Francisco se tornou, assim, a 18º patrimônio brasileiro reconhecido pela Unesco. Os outros são 11 bens culturais e sete bens naturais, dentre eles, Ouro Preto (MG), Olinda (PE), Salvador (BA), Parque Nacional da Serra da Capivara (PI), São Luís (MA) e Sete Missões (RS).
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