Recebi nesta manhã um e-mail convocando uma manifestação em defesa das árvores ameaçadas de corte no Parque Municipal, em Belo horizonte. O texto trouxe algumas questões interessantes sobre a decisão de cortar 36% das árvores do Parque Municipal.
A arborização da cidade é um assunto constante nos relatórios de prefeito e jornais impressos durante as primeiras décadas de existência da capital de Minas Gerais. Em 1902, por exemplo, o poder publico dizia que havia arborizado o máximo de ruas, avenidas e praças e que uma cidade moderna como a nova capital não poderia nunca deixar de plantar árvores e cuidar dos seus jardins.
Leia parte do e-mail que recebi e a convocatória para manifestação com links e referências para maiores informações:
Alguns fatos para ajudar a entender a situação:
No dia 12 de Janeiro de 2011, um Jatobá de 20 anos de idade do Parque Municipal caiu em cima de uma mulher de 38 anos fazendo caminhada no parque, matando-a.
Uma vistoria técnica havia sido feita nas árvores no Parque e não haviam constatado nada de errado com o Jatobá.
Dois dias depois uma nova vistoria nas árvores condenaram 36% das árvores do Parque para corte.
As notícias ainda sensacionalizam, como “em um ano, 4 mortes por queda de árvores na capital”.
Alguns tópicos para pensar:
A vida de um ser humano possui mais valor do que a de 200, 300 árvores?
Porquê o Jatobá estava “infestado” por cupins?
Cupins são realmente uma praga?
Já que BH não possui um Plano Diretor de Arborização Urbana (ainda) e nem inventário, e várias árvores tem causado “catástrofes” como cair em cima de carros e casas, a solução é cortar tudo que foi mal cuidado?
E para terminar, se atitudes radicais como essa fossem sempre tomadas, porquê o veículo motorizado que mata mais de 57 mil por ano só no Brasil é permitida continuar existindo?
Se a cada morte causada por um carro ou moto, o governo decidisse destruir todos os modelos porque são perigosos e inseguros…
Soa estranho?
Por enquanto é só.
Links resumindo algumas informações:
http://portal.cnm.org.br/sites/9000/9070/Estudos/Transito/EstudoTransito-versaoconcurso.pdf
Chamada para manifestação:
CONCLAMAMOS A POPULAÇÃO DE BELO HORIZONTE
a manifestar-se aos órgãos a seguir,
pleiteando a suspensão do corte de quase 300 Árvores no Parque Municipal:
Prefeitura BH, Secretaria de Meio Ambiente (extensivo à Presidência da Fundação de Parques e à Diretoria do Parque Municipal), Presidente do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico MG / IEPHA, Ministério Público MG, Instituto estadual de Florestas:
gabpref@pbh.gov.br, smma@pbh.gov.br, fpmbh@pbh.gov.br, faleconosco@iepha.mg.gov.br, pjma@mp.mg.gov.br, faleconosco.ief@meioambiente.mg.gov.br,
“Sentimos dentro de nós uma preocupação constante não só pela nossa casa, como também pela nossa cidade. Embora estejamos voltados para ocupações diferentes, todos nós temos uma opinião própria acerca dos problemas da cidade. Todo aquele que não participa de questões desta natureza é considerado, entre nós, um mau cidadão, não um cidadão silencioso. Somos nós que decidimos sobre tais assuntos ou pelo menos refletimos sobre eles profundamente.“
Pericles, Ano 430 A. C.
MANIFESTO EM DEFESA DE QUASE 300 ÁRVORES
AMEAÇADAS DE CORTE NO PARQUE MUNICIPAL DE BH
Considerando a temperatura atual de 45º C na capital do Rio de Janeiro, defendemos em Belo Horizonte os maiores reguladores do clima em nossa capital mineira.
Indiferença e irresponsabilidade quanto aos cuidados minuciosos necessários às Árvores resultam em mais uma morte em Belo Horizonte e colocam em risco 200 Árvores que já estão sendo cortadas no Parque Municipal da Capital, cujo título um dia foi “Cidade Jardim”.
No mês em que Márcio Lacerda foi indicado pelo Datafolha como o melhor prefeito dentre as capitais brasileiras, essa fatalidade evidenciou a necessidade do Poder Público dar o valor merecido à questão ambiental urbana, em suas diversas nuances, na Capital Mineira, destacando no momento, a realidade das Árvores.
O ocorrido no Parque Municipal “Américo Renê Giannetti” tomou proporção negativa nacional, sendo divulgado em toda a mídia, de norte a sul do Brasil, conforme alguns links ao final.
Queremos nos orgulhar também de termos como nosso representante, um Prefeito responsável, atento e ativo quanto as questões ambientais.
Belo Horizonte que desponta como referência positiva em várias áreas, lamenta por carecer de atenção especial para o tema ambiental – apesar do clamor planetário que predomina nos tempos atuais.
Ainda resta na memória dos belorizontinos mais antigos, o lamento pela eliminação de todas as Árvores no centro da Av. Afonso Pena.
Agora, mais uma mácula está prestes a existir na história de nossa Capital, afinal, quanto tempo demorará para a recomposição do verde hoje existente no Parque Municipal – um dos pulmões de BH -, após esse desastre, considerando as supressões que já estão ocorrendo lá??? Ficará a ferida exposta e espalhada naquele Parque.
Foi inédita a fatalidade da morte, no Parque Municipal, de uma cidadã no dia 12/01/2011.
Há que se tomar providências, é fato. Entretanto, não se justifica o extermínio radical de tantas espécies, sem o empenho de se buscar alternativas sustentáveis para salvá-las em contraposição à solução imediatista de simplesmente cortar essas quase 300 árvores que regulam a temperatura; amenizam a poluição; enriquecem as áreas de lazer e cultura; fornecem sombra e bem estar, além de diversos outros beneficios ao ecossistema local, promovendo a qualidade de vida.
Muito além da questão ambiental, aquelas Árvores são tombadas pelo Patrimônio Histórico. Não obstante, estão sendo tombadas em total desrespeito ao Ecossistema Urbano e às pessoas que habitam a Capital.
Pagamos impostos muito altos e queremos ver revertidos nossos recursos financeiros para investimento suficiente que atenda a grande e variada demanda na área ambiental.
Não pode ser considerado dispendioso investir em tecnologia e planejamento para tratar de nossas Árvores.
Brasília e outras capitais, como Porto Alegre e São Paulo, já têm o inventário, mapeamento e manutenção preventiva de todas as suas Árvores através de um detalhado planejamento – Plano Diretor de Arborização Urbana.
Questionamos a vistoria realizada recentemente e pedimos que seja realizada nova vistoria técnica mais criteriosa dessas Árvores, que já estão sendo suprimidas, por uma equipe multidisciplinar de áreas afins. A população não pode admitir a solução simplista da supressão de tantas árvores, antes de tentar tratá-las, já que não foram cuidadas preventivamente.
Pleiteamos à Administração Pública a imediata interrupção do corte dessas Árvores condenadas pela Secretaria de Meio Ambiente, muitas delas centenárias, existentes no Parque Municipal de Belo Horizonte, bem como, manutenção da interdição do Parque transformando-o em um verdadeiro “hospital de árvores” até que as árvores estejam devidamente tratadas.
Isolamento das espécies ameaçadas de cair; tratamento das árvores doentes; combate às pragas; poda adequada quando necessário; utilização de cabos de sustentação; transplantes; equipamentos modernos de detecção da saúde das Árvores com realização de ressonâncias e contratação de pessoal qualificado e suficiente são as alternativas apresentadas e defendidas como urgentes por este movimento.
Conclamamos toda a sociedade que permanece apática ao tema, ou parte dela que discorda dessa situação caótica para que nos mobilizemos, saindo da indignação silenciosa e isolada e pleiteando à Administração Pública a devida atenção ao Meio Ambiente Urbano, não só para o nosso benefício, mas, principalmente, por ele, dado seu valor intrínseco.
Diante do exposto, que haja o despertar e o assumir de nova postura pelo Poder Público e pela sociedade, quanto a ética, a responsabilidade de cuidar e o respeito merecido às Árvores – nosso “Patrimônio Natural, Histórico e Cultural”.
MOVIMENTO EM DEFESA DAS ÁRVORES DE BH
fevereiro / 2011
REFERÊNCIAS:
Sistema de gerenciamento de árvores urbanas de São Paulo
http://www.ipt.br/solucoes/17-sistema_de_gerenciamento_de_arvores_urbanas.htm
Plano Diretor de Arborização Urbana de Porto Alegre
http://www2.portoalegre.rs.gov.br/smam/default.php?p_secao=9
Arborização Urbana – Porto Alegre
http://www2.portoalegre.rs.gov.br/cgea/default.php?reg=2&p_secao=28
Inventário da Arborização Urbana implantada na década de 60 no Plano Piloto, Brasília – DF
http://www.revsbau.esalq.usp.br/artigos_cientificos/artigo96-publicacao.pdf
Vantagens da Arborização Urbana Brasília, DF
http://guialocal.brasil.com.br/Vantagens_da_Arborizacao_Urbana_Brasilia_DF-r1163876-Brasilia_DF.html
Árvores da capital estão condenadas, adverte botânico da UFMG / Especialista constata, em passeio de hora e meia, que podas são malfeitas, espécies, inadequadas, e falta espaço para o crescimento das raízes
Marcio Lacerda obtém a melhor avaliação popular entre os prefeitos das principais capitais do país
http://www.revistaviverbrasil.com.br/59/materias/01/capa/discricao-que-agrada/
Árvore cai sobre 10 carros no bairro Santo Agostinho
http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=109255
IEPHA/MG apresenta: Conjunto Paisagístico do Parque Municipal – Belo Horizonte
Histórico do Parque Municipal “Américo Renê Giannetti”
Vistoria falha, árvore cai e mata mulher no Parque Municipal
Queda de árvore causa morte de mulher
Árvore cai e mata mulher no Parque Municipal
http://www.alagoas24horas.com.br/conteudo/?vCod=98899
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