Para ir longe e voltar no mesmo dia
Me perguntaram outro dia, em um bar na rua Sapucaí, se eu vivia da bicicleta, se era patrocinado, se ganhava dinheiro com isso. Não foi a primeira vez, e o motivo, obviamente, é o Instagram e a maneira como ele nos apresenta na rede. Ali somos todos míopes — então precisamos de um esforço, tipo cerrar os olhos (quem é míope sabe), pra ver além do que está posto.
Em algum momento resolvi compartilhar mais sobre minhas aventuras ciclísticas por ali do que qualquer outra coisa, numa tentativa de filtrar e fazer uma curadoria da minha própria vida. Vez ou outra aparece um pouco mais do cotidiano além das pedaladas, mas sempre sem grandes expectativas — só pra manter contato com minha bolha.
Pensando nisso, resolvi registrar por aqui, num espaço onde o ciclismo faz ainda menos sentido, as minhas rotas favoritas. E comecei pela popular “Caçambinha”, estrada que liga Sabará a Caeté. Para quem não é de Minas, as duas são cidades históricas na região metropolitana de Belo Horizonte. Sabará, conhecida pela arquitetura colonial e pela importância no ciclo do ouro; Caeté, também com raízes na mineração. As duas são conectadas pela “Rota do Ferro”, um antigo ramal ferroviário transformado em rota turística para caminhadas e bicicleta — que merece um texto exclusivo.
A rota começa na Praça do Gaia, em Sabará, e segue pela BR-262 até a mina Cuiabá, da AngloGold Ashanti. Asfalto razoavelmente conservado, subida cenográfica de aproximadamente 8km, sem grandes paredes. Longa, mas tranquilamente percorrível por iniciantes com paciência e vontade de ver paisagem bonita.
O trecho leva esse nome por conta das caçambas de minério da Anglo, que cortam a estrada e marcam a paisagem.
Subir Caçambinha é legal por vários motivos, mas os que mais me pegam tem relação com a paisagem, com o baixo fluxo de automóveis e caminhões, e a descida, o caminho de volta. São poucas rotas que superam a delicadeza das curvas com a possibilidade de ganho de velocidade. O risco, claro, existe. Eu mesmo quase caí após derrapar em uma mancha de óleo após entrar na curva com displicência. Teria sido um acidente e tanto!
Para quem quer apenas a experiência de subir e descer, sem pegar a rodovia até Belo Horizonte, é possível ir de carro até a praça do Gaia. Muitos ciclistas fazem assim. De qualquer maneira, recomendo uma parada no “Bar do Alexandre do Gaia” para uma prosa com a querida Lu, e claro, com o próprio Alexandre.
Pra quem quiser acessar a rota no Strava, segue o link Caçambinha Sabará/Caeté

